Há um espaço em nosso blog destinado ao compartilhamento de histórias de reinvenção da vida depois dos 50 anos – todas contadas pelo próprio protagonista.
Mas este é um relato especial, contado amorosamente pela neta – Simone Camasmie – da Ponto Bordô. Esta semana teve a triste notícia da partida de seu avô – Antonio Cruz, um senhor de quase 98 anos de idade que morava no interior de São Paulo.

Sempre foi difícil aceitar a partida de pessoas queridas, é um desafio para todos nós lidar com a saudade e o luto. O desafio fica um pouco maior neste momento de pandemia, em que soma-se as restrições impostas às famílias impedidas de viver seus rituais de despedida.
A vida do Sr. Antonio foi uma trajetória de luz, de paixões pessoais com capacidade de encantar crianças e adultos. Aos 15 anos conheceu e se apaixonou pelo presépio mecanizado, começou a montar o seu e o fez por 83 anos. Todas as peças eram esculpidas por ele, que também fazia a mecânica, a carpintaria.
Quando éramos crianças ele confeccionou um presépio muito grande. Minha avó faleceu jovem, aos 50 anos e ele voltou a morar no interior de São Paulo onde a maioria dos seus familiares vivem. Como o presépio era muito grande ele diminuiu, mas todos os anos acrescentava peças diferentes.
Simone Camasmie

Marceneiro de profissão, quando se aposentou gostava de fazer coisas diferentes.

Afetivo, criativo, vivaz, amava a vida e a música. Tocava vários instrumentos musicais, entre eles o cavaquinho, bandolim, violão, sanfona.

Cheio de vida e planos, aos 90 anos decidiu dar-se de presente o piano dos seus sonhos. E de brinde comprou também um órgão. Grata surpresa teve a família ao visitá-lo e saber que estava aprendendo a tocar os instrumentos com a alegria que sempre foi sua companheira.

Que sua família possa sentir o conforto, a gratidão e o privilégio com sua rica convivência e que sua passagem pelo planeta possa ser exemplo e uma fonte de inspiração para todos nós.
Foto de capa: Sr. Antonio com o neto Sérgio